Já parou para pensar que além da eletricidade que faz a luz acender em nossas casas, existe outra forma de produzir e usar energia que pode ser extremamente poluente? Estamos falando do setor de transportes! Sim, o setor que faz sua comprinha chegar até você, que leva diversos alimentos até os mercados e que transporta inúmeras cargas pelo Brasil.
Temos caminhões para cargas leves e médias, que normalmente andam dentro do próprio estado ou das nossas cidades; e os de porte pesado, que transportam enormes cargas por várias quilometragens.
Devido ao tamanho continental do Brasil, nossos alimentos, ou até mesmo certas encomendas, viajam longas distâncias pelas rodovias para chegar até nossas casas ou mercados. Por exemplo, a soja produzida em Mato Grosso muitas vezes percorre cerca de 2.200 quilômetros para chegar ao Porto de Paranaguá, no Paraná.
Acontece que esse setor contribui e muito para a crise climática! Quando falamos de todo o setor de transportes (carros, ônibus, caminhões), suas emissões representam 47% dos gases de efeito estufa do Brasil.
Nesse contexto, os caminhões concentram 40% de todas as emissões de gases de efeito estufa do setor de transportes! No mundo, esse número varia de 11 a 18%! O impacto acontece, principalmente, por conta da queima de combustíveis fósseis (sim, eles de novo), como o diesel e a gasolina em motores a combustão.
Fonte: Agência de Notícias da Indústria, 2024.
Isso não é de hoje. Embora o Brasil já tenha sido exemplo de transporte ferroviário (o Rio de Janeiro foi o primeiro estado a ter a maior malha ferroviária do mundo), hoje são as rodovias que atravessam nosso país.
Não negamos que os caminhões desempenham um papel fundamental na economia do Brasil, já que o país é um importante centro de produção, um dos principais mercados emergentes para vendas e eles são o principal meio de transporte para cargas e fretes nacionais.
Mas os caminhões de carga média e pesada são os veículos que mais poluem e os mais atrasados na transição energética no setor de transportes, com impactos graves.
Ao emitirmos mais gases de efeito estufa, pioramos a saúde de todas as pessoas - lembrando que as minorias sociais são sempre as mais afetadas - pois contaminamos o ar que respiramos. As emissões dos transportes de carga estão diretamente ligados a doenças respiratórias e cardiovasculares, que acabam sobrecarregando os sistemas públicos de saúde, já que poderiam ser evitados. Esses são os principais poluentes emitidos pelos caminhões:
Uma prova da poluição gerada pelos caminhões foi vista em São Paulo durante a greve dos caminhões em 2018, quando o transporte rodoviário foi paralisado por dez dias. Naquele período, a poluição na cidade caiu 30%. Um relatório do Instituto Ar calcula que, se essa melhora fosse permanente, o país poderia evitar mais de 4.000 mortes anuais ligadas à poluição do transporte de cargas.
Caminhões = principal fonte de CO₂ no setor
49,9% das emissões do setor de transportes
185,3 milhões de toneladas/ano
Em São Paulo: caminhões são menos do que 4% da frota, mas representam mais de 80% das emissões
Em Salvador: caminhões são menos do que 7% da frota, mas representam mais de 80% das emissões 84% das emissões
Grande fonte urbana do poluente mais associado a mortes prematuras
Concentra-se em corredores
de carga e áreas portuárias
Associado a doenças cardiorrespiratórias
e aquecimento climático
Fonte: Instituto Ar
O impacto da poluição do ar causada por caminhões pesados no Brasil afeta desproporcionalmente comunidades localizadas próximas a importantes corredores de transporte, incluindo rodovias, centros logísticos e cidades portuárias.
Essas áreas, frequentemente onde residem populações de baixa renda, sofrem não apenas com maior exposição a poluentes nocivos, mas também com vulnerabilidades socioeconômicas que agravam os riscos à saúde.